15 de agosto de 2010

Quem partejará a beleza que carregamos dentro da alma?
Quem acordará a Bela Adormecida?
Para isso existem os anjos.
Anjos são criaturas que transitam entre o mundo encantado da beleza, na eternidade - aquele em que a vivia antes de nascer -, e a beleza que dorme na alma, no tempo. Os anjos são as pontes entre o tempo e a Eternidade.
Nesse mundo eles têm a forma de artistas. Os artistas são seres a quem Deus deu o poder para ver e ouvir aquilo que os mortais comuns não vêem nem ouvem.
Aí acontece o milagre: quando a alma ouve o poema ou escuta a música dos artistas, a beleza que mora na alma se reconhece, e desperta. Acontece então o beijo de amor: é a felicidade. Diante da beleza choramos de felicidade. A beleza é o tempo sendo abraçado pela eternidade.

Fernando Pessoa escreveu a mais bela declaração de amor que conheço: "Quando te vi, amei-te já muito antes, tornei a encontrar-te quando te achei..."

"Quando te vi": a tua imagem levou-me a um tempo muito antigo, "Já muito antes"- que eu nem sabia que existisse. Vi-te numa eternidade que morava em mim. Tua aparição - o momento em que te ví - aconteceu no tempo: era um entardecer. Mas senti que já moravas em mim, desde sempre, fora do tempo. Ao te ver fui tocado pela eternidade. Foi belo...
Mas por que te amei? Por que não um outro? O que é que havia em ti que te fizesse única? O que é que eu tinha perdido e reencontrei em ti?

Termino com uma pequena frase avulsa:

Amamos uma pessoa não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que aparece refletida nos olhos dela


Texto e Frase de Rubem Alves (A Maçã e Outros Sabores)

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