15 de agosto de 2010

Você quer saber se está sofrendo da terrível doença proibida?

É muito fácil responder:

"A presença dele traz alegria?"
Isso é tudo o que importa. Se trouxer só prazer, é fogo de palha, aventurinha vagabunda, por causa das glândulas e hormônios.
A amante de Tomás dizia: "Não quero prazer, quero é alegria!"
Prazer é coisa do corpo, só acontece quando o corpo do outro está lá.
Alegria é coisa da alma, acontece só de lembrar. Preste atenção se você começa a sorrir sozinha, na cozinha, pregando botão, dirigindo o carro. Se você estiver dada a sorrisos sem razão aparente, é porque a alegria está morando em você...

E isso é o sinal mais seguro de que você está amando.

Parece que o tempo está passando cada vez mais rápido.
Não é verdade.
Nós é que estamos correndo demais...
E, quando corremos, temos a sensação de quem é o tempo que está correndo.
São tantas coisas que nos seduzem!
Queremos gulosamente comer de tudo que a vida nos oferece no seu buffet.
Mas isso não é aconselhável.
Provoca perturbações digestivas.
É preciso ser seletivo,degustar vagarosamente aquilo que realmente desejamos.
Por isso eu digo, degustem vagarosamente...
O tempo, então, voltará a passar com a preguiça de um rio...
Quem partejará a beleza que carregamos dentro da alma?
Quem acordará a Bela Adormecida?
Para isso existem os anjos.
Anjos são criaturas que transitam entre o mundo encantado da beleza, na eternidade - aquele em que a vivia antes de nascer -, e a beleza que dorme na alma, no tempo. Os anjos são as pontes entre o tempo e a Eternidade.
Nesse mundo eles têm a forma de artistas. Os artistas são seres a quem Deus deu o poder para ver e ouvir aquilo que os mortais comuns não vêem nem ouvem.
Aí acontece o milagre: quando a alma ouve o poema ou escuta a música dos artistas, a beleza que mora na alma se reconhece, e desperta. Acontece então o beijo de amor: é a felicidade. Diante da beleza choramos de felicidade. A beleza é o tempo sendo abraçado pela eternidade.

Fernando Pessoa escreveu a mais bela declaração de amor que conheço: "Quando te vi, amei-te já muito antes, tornei a encontrar-te quando te achei..."

"Quando te vi": a tua imagem levou-me a um tempo muito antigo, "Já muito antes"- que eu nem sabia que existisse. Vi-te numa eternidade que morava em mim. Tua aparição - o momento em que te ví - aconteceu no tempo: era um entardecer. Mas senti que já moravas em mim, desde sempre, fora do tempo. Ao te ver fui tocado pela eternidade. Foi belo...
Mas por que te amei? Por que não um outro? O que é que havia em ti que te fizesse única? O que é que eu tinha perdido e reencontrei em ti?

Termino com uma pequena frase avulsa:

Amamos uma pessoa não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que aparece refletida nos olhos dela


Texto e Frase de Rubem Alves (A Maçã e Outros Sabores)