2 de abril de 2007

Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e se faz com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento,
não temeis o "não" de vossa própria opinião,
nem prendeis o sim.
E quando ele se cala,
vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças,
nascem
e são partilhados sem palavras,
numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vossa amigo,
não vos aflijais.
Pois o que vós amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência,
como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade
a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa
a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor,
mas uma rede armada, e somente o inaproveitável nela é apanhado.
E que o melhor de vós próprios
seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré,
que conheça também o seu refluxo.
Pois,
que achais seja vosso amigo para que o procureis
somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade,
e não vosso vazio.
E na doçura da amizade,
que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas,
o coração encontra sua manhã e se sente refrescado.

Um comentário:

Philippe disse...

que os prazeres... que findam ao toque gélido do vento noturno... não se percam entre os uivos distantes... ou no próprio doce vento... que carregam as frases sem sentido e o pensamento dos tolos...